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terça-feira, 9 de abril de 2013

ABALOU BANGU - O GLOBO 24/11/2007


 
Filha de presidente da Fábrica Bangu relembra o concurso Miss Elegante Bangu, em noite black-tie no Copa

Carolina Isabel Novaes

Você já esteve em Bangu? Pois Hubert de Givenchy, o estilista francês, já. Esteve lá, assim como o colega Jacques Fath, para conhecer a Fábrica Bangu, de tecidos, nos anos 50. Jacques Fath e a Bangu deram aquele lendário festão no castelo de Coberville, em Paris, para promover o algodão brasileiro. Depois vieram os concursos Miss Elegante Bangu.

Alicinha Silveira, filha de Guilherme da Silveira Filho (Silveirinha), presidente da Bangu, resolveu relembrar aqueles tempos, organizando, na próxima quinta-feira, uma reedição do concurso de beleza e desfile de moda. O Miss Elegante Bangu 2007 vai ser no Golden Room do Copacabana Palace, como antigamente, e terá 12 estilistas vestindo mulheres da sociedade: Carlos Tufvesson veste Yara Figueiredo; Glorinha Pires Rebello, Fiorella Mattheis; Isabela Capeto, Duda Pereira. Liz Machado veste Maria Helena Pessoa de Queiroz; Luciano Canale, Paola de Orleans e Bragança; Marcella Virzi, Maria Mendes de Almeida; Tony Palha, Stephanie Oliveira. O evento ainda contará com a participação dos estilistas Marco Rica, Marta Macedo e Guilherme Guimarães.

A noite de gala comemora o centenário do nascimento de Silveirinha, um dos criadores do concurso que escolhia a menina mais bonita e bem-vestida dos clubes do Rio e de outros estados. Eram cerca de 50 candidatas desfilando criações — uma esporte, outra habillé — do costureiro José Ronaldo.

Viagem  a Paris

A estilista Glorinha Pires Rebello, que participará da festa da próxima quinta-feira, já foi candidata à Miss Elegante Bangu, em 1961, pelo Grajaú Tênis Clube.

— As meninas entravam de farra, era coisa de garotada. A gente ia ao escritório da Bangu no Centro, para escolher entre três croquis do Zé Ronaldo. O Zé Ronaldo era a alma dos desfiles, e, depois, eu cheguei a trabalhar com ele, entre 1979 e 1986. O meu vestido na competição era uma saia longa de cetim de algodão com uma blusa bordada. O traje esporte tinha estampa de florezinhas. Eu tinha 14 anos e já gostava de vestidos de alta-costura — lembra Glorinha, que para vestir a atriz Fiorella Mattheis vai usar um piquê verde do acervo da fábrica.

A primeira a ganhar o prêmio, em 1952, foi Corina Baldo, mãe do ator Felipe Camargo. Depois ganharam Sônia Carneiro (1954), Maria Sônia (1956) e a paulista Maria Helena Quirino dos Santos (1958).

— Eu tinha 17 anos e fazia atletismo no Fluminense, daí o Guilherme Silveira me viu. No início participavam só as senhoras da sociedade — recorda Maria Sônia, que agora vai passar a faixa de Miss para a vencedora. — Eu cheguei a tropeçar na ponta do vestido. Acho que ganhei só porque nunca tinha sonhado com aquilo. O prêmio era uma viagem a Paris. Adorei, fui a festas e desfiles do Givenchy.

Croquis e fotos antigas vão ser projetados num telão durante a festa organizada por Alicinha, que contou com a ajuda de Ricardo Cravo Albin e Gisela Amaral.

— Depois, a idéia é expor os vestidos no shopping onde era a fábrica e, mais adiante, promover um leilão com renda revertida para a Cruz Vermelha — diz Alicinha. — Acho que muita gente vai reviver lembranças dos anos 50.

 

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