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Carolina
Isabel Novaes
Você
já esteve em Bangu? Pois Hubert de Givenchy, o estilista francês, já. Esteve
lá, assim como o colega Jacques Fath, para conhecer a Fábrica Bangu, de
tecidos, nos anos 50. Jacques Fath e a Bangu deram aquele lendário festão no
castelo de Coberville, em Paris, para promover o algodão brasileiro. Depois
vieram os concursos Miss Elegante Bangu.
Alicinha
Silveira, filha de Guilherme da Silveira Filho (Silveirinha), presidente da
Bangu, resolveu relembrar aqueles tempos, organizando, na próxima quinta-feira,
uma reedição do concurso de beleza e desfile de moda. O Miss Elegante Bangu
2007 vai ser no Golden Room do Copacabana Palace, como antigamente, e terá 12
estilistas vestindo mulheres da sociedade: Carlos Tufvesson veste Yara
Figueiredo; Glorinha Pires Rebello, Fiorella Mattheis; Isabela Capeto, Duda
Pereira. Liz Machado veste Maria Helena Pessoa de Queiroz; Luciano Canale,
Paola de Orleans e Bragança; Marcella Virzi, Maria Mendes de Almeida; Tony
Palha, Stephanie Oliveira. O evento ainda contará com a participação dos
estilistas Marco Rica, Marta Macedo e Guilherme Guimarães.
A
noite de gala comemora o centenário do nascimento de Silveirinha, um dos
criadores do concurso que escolhia a menina mais bonita e bem-vestida dos
clubes do Rio e de outros estados. Eram cerca de 50 candidatas desfilando
criações — uma esporte, outra habillé — do costureiro José Ronaldo.
Viagem
a Paris
A
estilista Glorinha Pires Rebello, que participará da festa da próxima
quinta-feira, já foi candidata à Miss Elegante Bangu, em 1961, pelo Grajaú
Tênis Clube.
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As meninas entravam de farra, era coisa de garotada. A gente ia ao escritório
da Bangu no Centro, para escolher entre três croquis do Zé Ronaldo. O Zé
Ronaldo era a alma dos desfiles, e, depois, eu cheguei a trabalhar com ele,
entre 1979 e 1986. O meu vestido na competição era uma saia longa de cetim de
algodão com uma blusa bordada. O traje esporte tinha estampa de florezinhas. Eu
tinha 14 anos e já gostava de vestidos de alta-costura — lembra Glorinha, que
para vestir a atriz Fiorella Mattheis vai usar um piquê verde do acervo da
fábrica.
A
primeira a ganhar o prêmio, em 1952, foi Corina Baldo, mãe do ator Felipe
Camargo. Depois ganharam Sônia Carneiro (1954), Maria Sônia (1956) e a paulista
Maria Helena Quirino dos Santos (1958).
—
Eu tinha 17 anos e fazia atletismo no Fluminense, daí o Guilherme Silveira me
viu. No início participavam só as senhoras da sociedade — recorda Maria Sônia,
que agora vai passar a faixa de Miss para a vencedora. — Eu cheguei a tropeçar
na ponta do vestido. Acho que ganhei só porque nunca tinha sonhado com aquilo.
O prêmio era uma viagem a Paris. Adorei, fui a festas e desfiles do Givenchy.
Croquis
e fotos antigas vão ser projetados num telão durante a festa organizada por
Alicinha, que contou com a ajuda de Ricardo Cravo Albin e Gisela Amaral.
—
Depois, a idéia é expor os vestidos no shopping onde era a fábrica e, mais
adiante, promover um leilão com renda revertida para a Cruz Vermelha — diz
Alicinha. — Acho que muita gente vai reviver lembranças dos anos 50.
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