ESTE BLOG É RESULTANTE DA PESQUISA DE ARQUIVOS DE IMPRENSA SOBRE A FÁBRICA BANGU.



UM PROJETO DE JORGE BASTOS MORENO




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CAROLINA LAURIANO

EUGENIA R VIEIRA

HALINE TAVARES




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segunda-feira, 29 de abril de 2013

O PROJETO: O BACANAL DE COBERVILLE





O novo projeto de livro de Jorge Bastos Moreno, um dos mais respeitados jornalistas políticos do país, procura investigar um momento definidor para a estrutura econômica, social e política do Brasil. A partir do primeiro surto industrial do país, em início do século XX, o livro “O bacanal de Coberville” objetiva acompanhar o progresso da indústria têxtil nacional, especificamente, o êxito fabril da Bangu e suas repercussões fervilhantes na sociedade brasileira.
Tal fervor conquistou seu auge na década dourada de 1950. Entre os desdobramentos sociais da Fábrica Bangu, destacam-se: a criação do Cassino Bangu, a criação do time de futebol Bangu Atlético Clube, os desfiles de moda no Golden Room do Copacabana Palace, o concurso Miss Bangu, que veio a se tornar o concurso Miss Brasil de hoje e os tradicionais reveillons em iates para assistir aos fogos da praia de Copacabana. A família Silveira, dona da Fábrica Bangu, contribuiu à história nacional ao gerar empregos, lucros e ilusões para operários, empresários, modelos e governantes.
“O bacanal de Coberville” será desenvolvido de maneira indutiva, a partir do episódio do Baile de Coberville. Idealizado por Assis Chateubriand, então senador, tinha por intuito apresentar os tecidos Bangu para o mundo. O ano é o de 1952. O cenário, o Castelo de Coberville, nos arredores de Paris, propriedade do famoso estilista Jacques Fath. A festa espetaculosa que entrou para a história do Brasil – mas que é pouco conhecida pela maioria, foi patrocinada por empresários da indústria têxtil brasileira, com predominância de verba de Guilherme da Silveira Filho, o Silveirinha, na época presidente da fábrica Bangu.
Ao mesmo tempo, a festa poderia descambar na mais completa desordem, fato que seria aproveitado pelos inimigos do governo, capitaneados por Carlos Lacerda. Seria este mais um episódio lamacento do governo Getúlio Vargas? O presidente, avisado da armadilha por Samuel Wainer, recusou presença: “Eu conhecia os usos e costumes de Paris, e sabia até onde poderia chegar um evento desse gênero. Eram festas com alto grau de permissividade, e pressenti que não seria recomendável a presença de parentes do presidente da República”, narra o jornalista no livro Minha Razão de Viver.
Um avião fretado viajou do Rio de Janeiro rumo à Paris para levar os convidados. Entre eles, Dona Darcy Vargas e a filha Alzirinha, que foram contra a vontade de Getúlio. A elite brasileira da época estaria ali reunida, assim como personalidades internacionais como Clark Gable, Ginger Rogers e Orson Wells. A cuíca roncou com o carnaval da Orquestra Tabajara. 
Contudo, como previsto, os jornais do dia seguinte estamparam manchetes um pouco diferentes. A Tribuna da Imprensa publicou matéria com o título emblemático: “O bacanal de Coberville”, seguido por uma crítica mordaz ao evento e à imagem do Brasil que se exibia ao mundo. Carlos Lacerda, desafeto assumido de Getúlio, destacara repórteres e fotógrafos para cobrir a noitada e transformá-la em escândalo.
O jornalista Jorge Bastos Moreno pretende elaborar um retrato auspicioso e ao mesmo tempo ardiloso da sociedade brasileira, através das histórias da Fábrica de tecidos Bangu, que funcionou durante 116 anos. “O bacanal de Coberville” será uma narrativa envolvente, em estilo intriga palaciana, que vai trazer ao leitor geral um período ainda escondido sob certas máscaras. O que aparentava ser um Brasil muito alegre e esfuziante, já enraizava suas dívidas e sua promiscuidade governamental. Corrupções, traições e desafetos serão encontradas nas entrelinhas desta história.


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